Nesse final de semana rolou a primeira edição do Lollapalooza aqui no nosso país. Depois de cobrir Rock In Rio, Terra, SWU e Ultra pra Mix no ano passado, finalmente abrimos a agenda dos grandes festivais de 2012. E olha, eu tava esperando ansiosamente por esse momento desde dezembro.
Amo trabalhar em festivais. É sempre uma confusão, uma maluquice, a gente nunca sabe que banda vai dar entrevista ou não até o último minuto. Alguns até confirmam antes, mas sei lá, vai que de repente o guitarrista/baixista/vocalista tem um desses rompantes de diva e resolve que vai ficar trancado no camarim até a hora do show. Vai que na hora uma banda de quem você nunca ouvi falar tá lá felizona e resolve dar um entrevista surpresa… Nunca se sabe.
É engraçado porque eu sempre fui uma pessoa que gosta das coisas certinhas, nada de mudanças de planos repentinas ou atrasos homéricos. Mas em festivais a coisa muda de figura, com tantos eventos acontecendo ao mesmo tempo, acabei descobrindo que dá pra ser feliz no caos. Choveu, a banda atrasou, apareceu uma entrevista surpresa, a pauta sumiu… Tudo bem, no final sempre dá tudo certo.
Nesse Lolla tive a oportunidade de fazer entrevistas e conhecer melhor bandas que antes eram só nomes aleatórios no meu iTunes. Falei com Band Of Horses, Cage The Elephant, Peaches, Manchester Orchestra, Foster The People, Tinie Tempah e pasmem até com o Arctic Monkeys, que agora tem status de “uma-das-grandes-bandas-desse-mundo” (embora eu discorde um pouco).
Foster The People foi a primeira banda com quem falei, isso na quinta, ainda no hotel em que eles tavam hospedados. A entrevista foi boa, os caras bem simpáticos, mas depois pensei que, se puder escolher entrevistar no hotel ou no backstage do festival, prefiro mil vezes a segunda opção.
No hotel os caras sempre tão com cara de fronha, meio de saco cheio porque foram tirados do bem e bom do quarto pra falar pela quinquagésima vez sobre seu trabalho mais recente. Já no backstage, eles estão mais no clima do festival, prontos pro que der e vier.
Aliás quase todas as bandas que entrevistei no backstage estavam super felizes, se divertindo de verdade com o festival. A Peaches bem louca, disse pra eu não me aproximar muito porque ela tinha comido cebola no almoço e tava com bafo, tudo devidamente resolvido com um Mentos extra forte que eu tinha no bolso. Os caras do Cage The Elephant confessaram que ouviam Matchbox 20 quando eram adolescentes. E o Tinie Tempah mandou um belo xaveco, só pra depois saber que sou casada e dizer “wow, that’s a nice ring” (olhaí sua moral, marido).
No fim de tudo, surpresa surpresa o Alex Turner foi meio blasé, mas ele é assim mesmo no palco, nas entrevistas, na vida toda, e não esperava que fosse gargalhar durante um papo 10 minutos. (Mas olha, tá de parabéns esse cabelinho rockabilly, viu?)
Foi isso, depois de todos os esforços empregados, mais uma missão cumprida, mais um belo festival. E dessa vez a moral da história foi: faça todo trabalho como se fosse o mais incrível da sua vida. Não importa se você tá na chuva todo zoado, se tá cansado, com dor de barriga, brigou com a namorada ou sei lá mais o que.
Faça sempre o seu melhor. E se for pra fazer algo meia boca, nem comece.


















