Aplicando Lipovetsky no salão de beleza

Há muito tempo o fim de semana foi instituído (pelas mulheres) como dois dias oficiais para colocar a beleza em dias. Confesso que não sou a campeã de visitas aos salões de beleza por motivos de chateações, falta de profissionalismo e estrelismos de quem se propõe a nos deixar mais bonita. Mas esse fim de semana botei na cabeça que ia dar um tapa no visual.

Escova? Moleza, quanto a isso não sou de exigências. Unhas? “Houston, we have a problem”.

Pra início de história minha cutícula é hiper fina, sou alérgica aos esmaltes que a maioria das mulheres enlouquece pra ter, minhas unhas quebram horrores e estou numa cidade em que não tenho referência daquelas manicures por quem nossas colegas de trabalho colocam a mão no fogo. Sendo assim, curiosa que sou, recorri à internet para encontrar um bom serviço, com o mínimo de conforto (e mimo) que toda mulher merece. E eis que me deparo repetidas vezes com posts seguidos dos comentários: “não vivo mais sem ela, fui muito bem tratada”, “é ela quem me salva”, “vale à pena demais e o lugar é lindo”, “ela levantou minha auto-estima”. Opa! Pera aí que agora ficou sério. Além de um trabalho referenciado, a profissional ainda tem aquele plus que TODAS nós procuramos? Eu tinha que conferir.

A profissional em questão é Rosemeire Barreira, conhecida por seu espaço Rose Art Nails, de onde não foi difícil de achar o telefone e marcar um horário com uma semana de antecedência. Dias vem, dias vão, e a leitura que tem me acompanhado é Gilles Lipovetsky e seus conceitos, dentre eles o de “luxo emocional”. “Killzy, pirou? O que tem a ver uma coisa com a outra?”. Gente, tudo! Quer dizer, não todo o sentido de imediato, mas fará quando eu contar a experiência na Rose Art pra vocês.

Pra início de história o espaço em que Rose atende tem um ar meio perua chic que põe a gente pra cima, com paredes revestidas de espelhos e uma plotagem animal print pink, um frigobar idem e poltronas rosas em acrílico. Fui convidada a me sentar, relaxar e, logo em seguida, fui surpreendida por um capuccino e um pão de queijo no ponto. Pronto, já estava entregue quando Rose tomou de conta das minhas mãos e a conversa foi rolando.

Descobri que aquela morenaça de riso fácil e bem maquiada desde cedo é conterrânea marabaense, se mudou pra Belo Horizonte ainda jovem e começou sua história atendendo as clientes em casa mesmo. Fez curso de depilação, penteado, maquiagem, mas foi assistindo a uma matéria no Fantástico sobre unhas artísticas que decidiu que era isso que queria fazer, e fazer muito bem. Treinou desenhos em unhas postiças, fez um catálogo de modelos e foi pra famosa feira hippie da Afonso Pena exercer seu trabalho.

Foram necessários apenas quatro finais de semana pra que uma fila se formasse assim que ela chegava. Mas, por causa da legislação vigente para a feira, Rose teve de encerrar a “temporada”, mas não sem antes conhecer uma pessoa que lhe deu a oportunidade de ir trabalhar num salão. O foco então se direcionou para as unhas acrigel, cristal e acrílica, uma novidade que ela descobriu em 1999, quando um curso de capacitação custava R$ 1.000,00.

Rose vendeu o que pôde em casa e pagou o curso do instituto Fing’rs em São Paulo. Passou por um, dois, três salões, sempre divulgando o trabalho pelo qual é apaixonada. Há seis anos num mesmo local, ela conta com uma clientela que a segue religiosamente, “algo em torno de 200 mulheres”. Conversei com duas clientes e me surpreendi. Luana Fonseca Pimenta, 30, analista de atendimento, está há 3 anos e meio sob os cuidados de Rose, depois de receber indicação de uma amiga, e a classifica como “inigualável”. “Já vi outras pessoas, em outros lugares fazendo essas técnicas, mas não tenho a confiança de trocar jamais”, diz Luana.

Carolina Zuliane Bonvechio, 29, engenheira, chegou até Rose por meio da indicação da mãe de uma amiga e se diz enormemente grata. O motivo? Ela roe unhas compulsivamente, chegando até mesmo a ferir os dedos. “Só paro se colocar as unhas de acrigel e sem dúvida a Rose faz a gente se viciar em ficar com as mãos bonitas”.

O que diferencia as unhas de acrigel, acrílico e cristal é basicamente a técnica de aplicação, porque os produtos são os mesmos. A duração é de 30 dias, se houver cuidado e se a manutenção (reaplicação do gel) for feita. A aplicação das unhas não impede que a cliente retire toda semana a cutícula e pinte com a cor de preferência. As unhas de acrigel são mais naturais e mais duráveis e todo o material usado é de primeira qualidade. O preço desse tipo de unha varia muito dependendo do salão, algo em torno de R$100.

Beleza é viciante e ser bem tratada também. Como decidi fazer a unha de acrigel, já estava avisada que demoraria no mínimo uma hora e enquanto isso Rose serve chás e suquinhos que fazem bem à silhueta, água de côco, refrigerante e até espumante às clientes, que ficam num “club da Luluzinha” folheando revistas, jogando conversa fora ou relaxando ouvindo a música ambiente.

Tranquilo né? Mas só até o momento em que você se vira para uma prateleira cheia de esmaltes Sephora, Revlon, Chanel, M.A.C. e Dior. É de dar palpitações. E no meu momento de contemplação me lembrei da tal segunda modernidade do luxo que o Lipovetsky fala: “Vivemos numa sociedade que valoriza bens ligados ao bem-estar, às necessidades individuais. Cada um investe em seu prazer. Cada um tem seu luxo, o que chamo de luxo emocional”. E na boa, vocês não “sentem” o luxo quando alguém arruma suas mãos, enquanto outra pessoa cuida dos pés? Pois era assim que eu estava: Rose nas mãos e Dina no pés.

Aliás, falar da Dina Andrade, formada em Podologia pela Universidade São Camilo, é falar sobre um novo capítulo nos cuidados com os pés. Ela me revelou que uma parcela crescente de clientes já não se contenta mais com a pedicure comum, preferindo os serviços de um podólogo.

Os cuidados que esses profissionais têm é muito maior: usam máscara, luvas, jaleco, produtos descartáveis, cremes emolientes, etc. Mas antes de qualquer procedimento eles analisam as deformidades dos pés, tipo de unha, dores, doenças como diabetes (que é a que mais demanda cuidados), pressão alta e até se a pessoa tem marca-passo. Ou seja, é um trabalho muito mais completo, afinal é na confortável cadeira de Dina que as clientes também desabafam sobre marido, secretárias, filhos, trabalho. “Costumo dizer que sou podóloga e psicóloga”.

Saí do Rose Art me sentindo tão bem comigo mesma, pensando que concordo com o Gilles Lipovetysky. O luxo tradicional está aí firme e forte, todos concordamos, mas o luxo emocional dá nome ao que sentimos constantemente, porque “não é alimentado pela vontade de despertar inveja, mas pelo desejo de admirar a si próprio, de deleitar-se consigo mesmo. O luxo vem sofrendo uma releitura nos tempos atuais e passa a ser também sinônimo de algo que tem um valor sentido; é relativizado, cada indivíduo o percebe ao seu modo”.

É isso que eu estava fazendo, me deleitando por ter tido um momento de cuidados estéticos. Não sou só eu que penso e me sinto assim, fazendo essa indústria girar. Atitudes como essa estão mudando o conceito do luxo. “Investir em saúde, beleza e lazer é um dos caminhos da indústria de luxo. A pessoa não quer apenas um diamante, quer uma experiência”. Falou e disse Gilles!

As leitoras mineiras gostaram? A Rose atende no (31) 9605-9091, Dina no (31) 9892-2727, ambas na rua São Paulo, 2084, Lourdes, Belo Horizonte.


Rose Art Unhas – Nixon About Hair

Rua S Paulo, 2084 – Lourdes
Belo Horizonte – MG – 30170-132
(0xx)31 3335-7817
roseartunhas@hotmail.com

Sobre Killzy Lucena

Analista de comunicação com um pé no design de moda, escorpiana legítima, meio queijo Minas, meio açai do Pará. Platinada até na alma, é chegada num moreno e subornável com viagens, cerveja, cinema e M.A.C.

Comentários:

  • Luanafonsecapimenta

    adorei a Matéria!parabéns